sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Como se o mundo não me pertencesse mais.

coração

s. m.

1. Órgão musculoso, centro da circulação do sangue.

2. Parte exterior do corpo correspondente ao coração.

3. Fig. Sentimentos.

4. Sensibilidade, afeição, amor.

5. Consciência.

6. Coragem, valor.

7. Voz secreta.

8. Centro, parte mais central.

9. Cerne (da árvore).

10. Técn. Peça angular numa intersecção de via-férrea.

11. Bras. Varanda.

Alguns momentos da vida perecem tirar-nos do cerne mole e confortável de existir, a ignorância leviana da alegria e do sentir o amor penetrar a sua vida. Desde que eu me abri para essa tentativa de amar alguém, depois de algumas ilusões, algumas angustias e violências, pensei que esse músculo débil, que tem movimentos que eu não comando – e isso me faz sentir que ele não é tão débil assim, mas na verdade algo com uma vontade própria um tanto peculiar - tivesse a bondade de se poupar de tamanho masoquismo. É tão estranha, toda a fortaleza e resistência antes experimentada em relação a esse sentimento parece sumir com um sorriso, e o clichê de ouvir sinos parece existir e a vida vira uma dessas histórias melosas que donas de casa lêem. Mas o pior de tudo é o sentimento de posse que o amor lhe confere, você passa a achar que a pessoa lhe pertence, e passa a ser como um órgão vital, o seu motivo de existir – como se isso fosse realmente possível – uma vez eu vi em algum lugar um pensamento de alguém que questionou essa posse, e foi algo mais ou menos assim: “como eu pude pensar que ele era meu? Ele sempre foi dele!” acho que quem disse isso foi Frida. Mas o pior de quando o coração aceita o amor, nós temos sede como um bebê indo pro seio da mãe, nós queremos todo o líquido nutritivo, com as vitaminas que um relacionamento necessita: fidelidade, lealdade, amizade, companheirismo, cumplicidade, sexo, atração e por ai vai, eu não sou um bom nutricionista de relacionamentos, eu não acertei muito com o meu. Mas a única coisa que você sabe é que só você pode oferecer esse alimento, e não pode esperar que o outro te alimente da mesma maneira. Bom eu experimento um onde sexo pode não faltar – apesar de achar sexo uma chatice, eu acho que ele deveria ser como a cereja do bolo, mas nada nesse mundo se alimenta só de cerejas – eu não fui alimentado com fidelidade e lealdade, nutrientes que formariam a confiança, e com esse amor subnutrido, conseguiu-se empurrar por muito tempo um relacionamento fadado ao fracasso, porque por mais subnutrido que ele estivesse ele era forte e até certo ponto sincero, por mais que a entrega e o trabalho de uma das pessoas fosse bem maior, continuando com essa comparação idiota e simples de leite materno, uma das lactantes decidiu seguir uma dieta para acalentar e nutrir bem esse filho que era uma novidade tão boa - por não saber o que lhe esperava – enquanto a outra continuou bebendo e fumando, passando toda a irresponsabilidade premeditada para alguém inocente, já que ela sabia bem dos riscos da gravidez, no caso, do relacionamento. Por isso que quando eu digo que esse relacionamento é meu, eu não estou sendo uma vitima e muito menos egoísta, ele foi meu sim. Eu que resisti a todas as tentações como um verdadeiro cristão. Eu que sempre pensei em nós. NÓS é tão engraçado! Como uma pessoa racional se entrega a outra dessa forma passional e louca? Foi assim que muita gente se matou, não foi? Essa entrega para um desconhecido que você julga ser sua própria carne, que você jura de pés juntos desvendar com um olhar, em um segundo toda essa certeza vai por água abaixo. E por mais que as forças desse relacionamento tenham aumentado com o tempo, ele fica tão forte quanto um castelo de cartas dentro de um furacão. E quem sempre lutou para que tudo fosse um sonho de fadas de Cinderela e Branca de Neve sentirem inveja mordaz, acaba vendo sua vida virando um inferno bem a moda Lady Di, só que sem paparazzi. Mas ao mesmo tempo, nem todo mundo tem força para um recomeço. Sofrer só? Depois de ter planejado a sua velhice com alguém não é uma tarefa fácil. E essas coisas só são compreensíveis depois de embarcar nessa barca furada do amor. Porque antes, todos julgam quem perdoa uma traição, e hoje, muito mais que um jogo político, eu entendo a força da Hillary Clinton. A traição dela foi algo exposto pro mundo, uma dor tão intima compartilhada com o resto do globo. A minha não é tão exposta, a não ser por essas palavras e obvio a exposição de saber que as pessoas que usaram do meu relacionamento um dia podem me ver com o traidor é desanimador. Na verdade é como acordar pela manhã e sair pela rua sem as roupas e ninguém te avisar. Isso te desarma, acaba com toda a cumplicidade ficar imaginando a pessoa que você acreditava amar beijando as outras como te beija, acariciando outras como faz com você, e até se enquanto ela transava bêbada com outra pessoa chamando o nosso nome parece um ultraje, é como perder a gravidade e sair pelo espaço. Eu não sei, mas só quem já sofreu de amor pode ser um bom parceiro, eu acho que uma pessoa que já sofreu muito por alguém pode privar outras de sentirem isso, e como eu já tinha sofrido o suficiente antes e a grana também anda curta para tarja preta, eu resolvi fazer de tudo para que essa pessoa não sofra. Quer algo mais altruísta? Não deixar a pessoa sofrer, mas você ficar dias sem dormir, noites revirando pensando onde que estava seu erro... E tem horas que parece que o erro foi justamente ser tão altruísta, fazer de tudo para essa pessoa não sofrer. Quem sabe um pouco de dor em um coração tão egoísta e pequeno que troca tudo o que você pode oferecer por um pouco de diversão sem compromisso e sexo casual, mas que tipo de dor causar sem se igualar? E se sentir tão reconfortado que passar por cima disso seja mais fácil? Não faço a menor idéia, mas queria muito. E é por isso que eu quero morrer com um infarto, eu quero que esse coração idiota sofra pelo menos um pouco, pois se eu tenho que dar o troco em alguém é nesse coração masoquista, idiota que só faz besteira, que só trás sofrer.

O coração é enganador

Acima de todas as coisas, e incorrigível;

Quem poderá compreendê-lo?

Jeremias 17-9

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Entendo... Entendo?

É incompreensível o tom que a sua voz assume para os outros. Na verdade a nossa voz, que nós ouvimos saindo da nossa boca e que nós imaginamos o timbre, os agudos e graves, ela faz parte do que nós imaginamos que seja a nossa voz. Se com a voz é assim, com a imagem não é nada diferente. É como estar imaginando que se está passando uma imagem de forte quando na verdade se está em frangalhos, mas você se vê forte, os outros não. É quando se imagina estar tão bem, tão pleno e tão feliz e para os outros parece uma tremenda falsidade, pois todos percebem a sua incredulidade. É intrínseco. O ponto é que nem sempre o agir e o timbre da nossa voz são como nós imaginamos. Ninguém consegue se olhar de frente sem um espelho e nem ouvir a voz sem estar gravada. É tão esquisito que esse autoconhecimento só aconteça com ajuda de outras coisas se não a nossa percepção, o ser humano é tão incompleto de ferramentas próprias que lhe possibilitem saber o que ele realmente é. E nem o tempo às vezes ajuda, pois a imagem que nós passamos sempre vai depender da interpretação alheia. Como quando uma boa intenção parece intromissão ou quando você é homem e te chamam de senhora no serviço de atendimento ao cliente.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Eu posso chorar?

Uma vontade de explodir, uma loucura! Mas basta uma gota para uma muralha desmoronar. É como se o mundo acabasse, mas a alma ficasse mais leve e de tão leve fosse possível voar, por mais denso que o coração esteja chorar é libertador, é necessário, chorar é sempre um momento único, principalmente quando se chora de dor ou tanto rir. Chorar é uma experiência fantástica. Nada melhor que lágrimas para pontuar os sentimentos, até mesmo para colocar ponto final. Quando se chora de rir, é um sinal de que já se riu bastante, quando se chora de tanto sofrer, é sinal de que não é mais possível sofrer. Mas chorar de saudade de alguém que se foi e não vai mais voltará, nunca vai ser um ponto final, mas sim reticências...

Com quem nós estamos?

Quem são os amigos? E os amores verdadeiros? E as chances verdadeiras? Acho que nunca se sabe se o amigo que te acompanha vai contigo até o fim, nem quando a vida está sendo realmente boa. Às vezes o medo turva a visão, mas também nos impede de questionar se as pessoas a nossa volta são realmente boas pessoas. Mas depois de um tempo, de se calejar bastante em ralações frustradas, nós teoricamente deveríamos aprender a nos defender de más companhias... Mas é tão difícil iniciar alguma relação se estamos fechados e cheios de amarguras por causa de pessoas que nunca valeram a pena, que só se aproximaram por maldade. Eu sempre preferi me abrir de corpo e alma, receber as pessoas no meu coração com muita sinceridade, talvez por isso as pessoas se aproveitem tanto dos meus sentimentos e as perdas sejam tão dolorosas. Mas a superação também é rápida, rola aquele sentimento baixo de que “era de se esperar” que nós só enxergamos depois de quebrar tantas vezes a cara. É a vida, e as pessoas que prestam são as que nos apóiam quando esses furacões de sentimentos passam. Espero que as que estão comigo durante as minhas grandes decepções continuem. E que as decepções diminuam, uma hora eu tenho que aprender, mas ser humano é isso, descer e subir. Então que a vida continue.

É carnaval.

O país para. As vidas mudam. As vidas surgem se fecundam. Tudo vira festa, até a desgraça. Temas loucos, enredos, blocos, baianas, purpurina, lantejoulas, paetês, plumas, penas e confete. Tudo felicidade, nada de problemas. Beijos, abraços e sexo vazio. Corpo se mostra e se exibe fora das formalidades. As liberdades e libertinagens caminham lado a lado, como se fosse irmãs e se realmente não existisse linha tênue entre as duas, as duas se fundem. Não comemorá-lo é como não ser do país, já que tantos estrangeiros o buscam por esse momento tão cheio de brasilidade. Dias de vazio, carnaval são dias de vazio, por isso acabam em cinzas, para que toda rotina renasça, junto com todas as formalidades e preconceitos, para que todas as loucuras caiam no esquecimento. Na quarta feira de cinzas acabam as plumas e os pecados.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Reprimido.

Cansei de reprimir esse grito em minha garganta. Cansei de agir como se nada estivesse acontecendo, não serei mais o vilão por tentar ajudar, agora farei jus ao papel. Sem draminha barato e nem ficar com joguinhos infantis como se fosse a mãe dissimulada, não, eu nunca serei a minha própria mãe.
Essa proximidade acaba com tudo, até com os bons sentimentos. Agora vivemos de falsos sorrisos e aparências. Eu não quero receber as suas visitas e nem muito menos fazer sala enquanto a anfitriã é você. Você gosta de disfarçar a sua sujeira colocando os outros para limpar. Eu não te odeio, eu só quero paz, eu preciso de paz, que nem o cigarro, os remédios me trazem mais e a culpa é toda sua. Se eu gritar, vomitar tudo o que eu sinto por você em uma hora de gritos e tapas, eu acho que eu te mataria, pois cada palavra seria um punhal te perfurando por dentro e fora. E te humilhar, te ver sofrer e pensar em como você pode parir esse monstro que te causa asco iria me dar um prazer eterno. Guardar a imagem da sua morte na minha frente sendo humilhada por tudo o que eu sinto por você é o melhor desfecho para essa sua vida medíocre. Sem culpas e muito menos desculpas.

sábado, 26 de setembro de 2009

Marcas

Dois corpos se encontram, se abrem, se tocam, se unem, se manifestam, se sentem, trocam fluídos, fluxos e se marcam para a eternidade. Nada que toca a intimidade, o ponto central do ser, é esquecido, dessas marcas nascem outras tantas, tem pessoas que são tocadas dessa forma uma vez a vida toda, já outras temo corpo surrado de marcas, tentativas, aberturas, tudo que fica para no futuro ser lembrado.